domingo, 13 de novembro de 2011

Lágrimas


Uma lágrima é um bem, lágrima nunca é um mal, mesmo quando lágrima de dor, lágrimas são sempre o representar de uma alma sensível, são sempre reflexos de um mundo de dentro, são sempre amores, amantes, saudades, desejos, dores incontidas, porque quem contêm dor não sabe o que é amar, nem chorar!

A lágrima é a bandeira da vida que não se embruteceu, a vida que ainda escorre mesmo na fumaça... Lágrimas não nasceram para regar o chão, nasceram para lavar a alma, é a forma como o espírito se materializa e os olhos são apenas portais por onde transcorre o que há dentro das veias de nossas almas! Sim, porque se do corpo escorre sangue, da alma escorre lágrimas...

Reticências...


Em algum ponto da vida adultifique-me, prendi-me à suposta e inequívoca noção de que crescer exige dureza e finitude, fui petrificando-me por entre as rochas que habito, por entre os sonhos que não sinto, por entre as nuvens que não toco! Pouco a pouco fui tornando-me o sonho de meus pais, os medos de minha cidade e as expectativas morais que me circundavam. Pouco a pouco fui perdendo-me para mim, fui aprisionando-me por conta unicamente de minha medíocre-idade...

Entendo e temo que todo este querer sobrepujado não passe de melindre de alguém que já não luta, mas se rende! Alguém que abandonou-se ao cansar-se de si... Alguém que no fundo do egocentrismo não encontrou nada e que por justa infelicidade não soube mais retornar... Escrevo para me dar algum valor diante de condição tão medíocre! Grito-me sob o silêncio do lençol que já não me protege e sobre a cama que já não me traz acalanto, ouço-me como quem escuta um velho corvo de penas mais cinzas do que negras! Ao final é a vida que pulsa e cobra, que ataca e sopra, que se esvai e sobra...

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A parte que me cabe...



Eu não tenho nada por aqui, das ruas pelas quais eu passo, dos postes da cidade que ainda me observam... Nada me pertence! Tudo é mera brincadeira de criança, e eu, apenas um infante deslocado de meu posto. Não sou nem um cavaleiro errante de nobreza desmedida, não sou nem um novo príncipe destes que estão destacados nas telas, não sou o mais novo corrupto rico desse país, nem sequer “rapaz latino-americano” sou... Sou mediocremente messejanensse, jovem que busca sobreviver nos sobrepostos destas avalanches modernas que recaem cercadas de propagandas e promessas de felicidade. Sou apenas mais um alvo das tvs, dos assaltos, das paixões, do desemprego, da melancolia de uma idade sem propósitos!

Venho aprendendo com algumas pedras mais pontiagudas que encontro no caminho que ser feliz é uma afirmação, antes de tudo, “você precisa afirmar que é feliz”! Minhas intenções conceituais e minha vontade de completude vão pouco a pouco oferecendo seus lugares a uma vontade de encontrar ao menos motivo que me dê força, fujo hoje daquela antiga vontade que havia de ser pleno, busco então ser mais simples, procurar menos a verdade das coisas, me contentar com as migalhas que a rotação da Terra vai deixando no caminho enquanto seguimos esse rastro que não sabemos onde vai parar...

Obviamente não estou sendo claro, e se mesmo assim você leu isto até aqui deve ser por querer encontrar algum sentido em devaneio tão juvenil e sem nexo algum... Falo do envelhecer enquanto jovem, quando seus sonhos e suas pretensões vão encontrando seus limites e os limites dos outros, quando sua vontade de mudar o mundo se confronta com sua acomodação, quando sua vontade de vencer se depara com seu medo de perder, quando sua idade e suas derrotas vão fazendo as contas diante dos teus olhos para averiguar qual “parte que te cabe neste latifúndio”! E é neste momento que me vejo mais servente, como que fazendo “um bico” para ganhar minha existência no mundo, ajudante de um pedreiro que não sabe o que vai construir, enquanto me exige cada vez mais rápido que lhe lance os tijolos, lhe prepare o cimento e lhe cave alicerce de sete palmos para o futuro que lhe aguarda.

Estou falando da simplória necessidade de sentido que minha alma implora por encontrar, estou falando que esta busca sobrevive no corpo magro de um jovem suburbano e complacente, jovem que pensou um dia que o mero olhar da praia, a música que lhe tocava, o seio amado e as conquistas lhe trariam algum sentido... E ele estava certo, o que não sabia é que tudo isso um dia passa, e que os esforços de construir tudo de novo devem permanecer.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

NovaMente...

Vou correndo sobre os muros da cidade, perdido em cada passo sobre o espaço estreito que é meu corpo e meu caminho... Poucos sabem, poucos param para perceber mais seus passos do que as horas que passam incontáveis (e eu as conto, segundo por segundo!).

Enquanto o sol vai se pondo em Fortaleza fico pensando sobre meus sonhos e meus medos, antagonistas da mesma história que por vezes carece de protagonista! Doce paradoxo que me faz repensar minha existência... Hoje, por um momento, tive a impressão de que o monstro megalópole me vence mais a cada dia, me aperta e me sufoca mais em seus tentáculos enquanto exige rendição de minha parte! Eu esbravejo (e escrevo) cada vez menos, aprendi a me deixar levar pela corrente sem exigir de meus braços o que eles não podem oferecer a mim e nem a mais ninguém. As coisas vão ficando para trás como uma parada (mais uma) onde esqueci de descer, como uma carta que deixei de escrever, como olhos que deixei, como pensamentos que volta e meia retornam para deixar claro que nunca se foram (“Como é difícil viver carregando um cemitério na cabeça”)!

Aprendi pela necessidade que caminhar pode independer de suas escolhas... Há casos em que a escolha tem que ser caminhar...

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Minha Geração

Não é nada disso! Não é nada disso que está estampado nas vitrines! Não é essa dor falsa que tão vendendo em tablete! Não é nem verdade! Você não consegue ver, não consegue sentir, não consegue enxergar em meus olhos! Mesmo se eu gritasse com todas as forças dos meus pulmões o máximo que você conseguiria fazer é fingir que entende, mas você não quer entender! Nunca quis! Pra você essa dor é só falsidade e pesar mentiroso, pra você isso não passa de um ornamento para uma cara feia e magra, você nunca soube como dói, nunca vai sentir! Não é humano, nem tão pouco humana pra isso!

Sou humano até a tampa, vou morrer assim, criação de Deus, blasfêmia encarnada! Dejeto de meus pais, de meus antepassados, encharcado de tudo que não quero ser... Então como não pesar? Como não sentir o enorme trouxa que sou sobre os ombros de minha alma? Alma fraca e triste, sem cor e sem vontade, sem tesão, sem dinheiro pra comprar os prazeres, frigida e enlatada numa coca-cola light! Como serão meus futuros, como foram meus passados, como sou!

Vou cuspindo em mim... Pra vê se me limpo por dentro...

Dor latente em minha geração (“My generation”) que transpira em mim! 

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Confuso (Procurando um "Achados e Perdidos")

De constelações de sentimentos são feitas todas as pessoas, algumas mais beijos que desejos, outras mais carinho que amor, alguns sentimentos ruins e alguns sentimentos bons... Vai saber como se encontram! Como descobrir como se conjugam os sorrisos com os desencontros, os amores com os desamparos, as vontades e as frustrações, os medos e os quereres!

Quando se quer e quando se quebra? Como se vende quando não se vence? Como cair ganhando? Tropeçar voando... Voar pra quê? Se na terra estão meus “cadês” tão perdidos?! Assimetricamente perfeito e infinitamente acabado numa construção sem fim... perdido em mim! Preso cansado da mesma cela enfeitada com os desenhos de suas tatuagens desbotadas, desmanchadas em suor e chuva, em sonho e queda, em tudo e nada, em mim e no todo, e nos perdidos que ainda estão por aí, vagando nos labirintos das cidades desfaceladas em um moinho sentimental e alienado!

Procuro um “Achados e Perdidos” que possa me entregar a alguém! Que possa me pôr em mãos seguras de carinhos por mim, de enfeites para a alma, de sorrisos no rosto e presentes queridos...

terça-feira, 14 de junho de 2011

Sonho e Sangue

Vou lhes contar uma historia, era uma vez uma alma que existia! Não sabia bem como, tinha consciência de que habitava um corpo que transitava por aí, tinha consciência da dor, tinha consciência do prazer e do gozo... Apenas não conseguia compreender como tudo aquilo poderia ser real e qual o sentido daquela realidade. Então esperava a todo instante que alguma coisa a salvasse de sua situação de ignorância... Alguma coisa! Esperava que o telefone tocasse e de alguma forma fosse a voz de Deus a lhe dizer o porquê de tudo aquilo, esperava que alguém batesse à porta e lhe sorrisse como quem traz o remédio antes da morte! Esperava que alguma solução brotasse do álcool, brotasse do chão da cidade, descesse da Lua qual São Jorge a lhe ofertar as respostas...

Mas nada aparecia no branco da parede pintada, nada surgia diante de seus medos mesmo quando abria os olhos. Então mais um gole de vodca para que a alma se mantenha calma... Bebia como quem sedava um paciente prestes a um transplante de coração, bebia mentindo que acreditava, bebia como quem creditasse àquilo alguma coisa que valesse a pena, bebia para admitir sua própria fraqueza e disfarçá-la em arte escrita... Uma alma que escrevia em busca de algum valor para si! Escrevia como quem sente a ânsia por encontrar o caminho de volta, como o medo da tortura, como o deslumbre das paixões, escrevia como quem mente e buscava nisso alguma honra que lhe fizesse valer algo de bom...

Uma alma que não sabia ser alma... Queria mais que tudo ser Corpo ou ser Deus! No entanto estava aprisionada a ser meio termo, condenada a sangrar e a sonhar ao mesmo tempo...

P.S: Escrevo isso para os outros! Nunca escrevi para mim, Eu não me importo...